Angolanas e angolanos.

Começamos por saudar o dia 25 de Maio dedicado ao continente africano, dia da fundação da Organização da Unidade Africana, em 1963. Devemos enaltecer o espírito dos pais fundadores da União Africana que ambicionaram uma África unida, democrática, desenvolvida e próspera. Rendemos, por isso, uma singela homenagem a todos eles, com destaque para o líder fundador da UNITA Dr. Jonas Malheiro Savimbi, que participou daquele célebre evento, como Presidente do Comité dos Movimentos de Libertação da África.

Infelizmente a África sonhada pelos percursores do Panafricanismo, presentes na fundação da OUA ainda não é uma realidade, pois continuam a registar-se conflitos armados, em vários estados membros, atitudes autocráticas dos seus líderes e políticas de exclusão, o que adia o seu desenvolvimento.

Angola vive há mais de 5 anos uma crise económica e social provocada pela petro-dependência e baixo preço do barril de Petróleo, agravada nos últimos 12 meses pela pandemia da COVID-19, sobretudo, pela definição e implementação de políticas públicas desajustadas a situação de crise sanitária. Milhares de cidadãos morrem todos os meses de causas distintas com destaque para a malária, a fome, acidentes de viação, doenças respiratórias e cardiovasculares.

Neste ano, a classe política angolana foi surpreendida e abalada por mortes de ilustres Deputados do Grupo Parlamentar da UNITA. Recordamos aqui a memória dos saudosos, Beatriz Sokola, Adérito Kandambu, Demóstenes Chilingutila, Victorino Nhany e Constantino Zeferino. Em sede de debate da última sessão plenária da Assembleia Nacional tomamos a palavra para manifestar uma preocupação fundada na fraternidade: alguns dos compatriotas que faleceram, talvez não tivessem falecido nesta fase, não fossem os receios e desconfianças de ordem política que habitam em muitos angolanos. Existem receios fundados que afastam muitos dos nossos compatriotas e correligionários dos hospitais públicos.

Compatriotas e correligionários.

Esta situação de desconfiança e receios nada tem a ver com a competência técnica dos nossos profissionais de saúde, mas com o facto de existirem factores estruturais de agressão ao Estado Democrático e de Direito, e em aspectos ligados ao espírito de reconciliação nacional, nomeadamente a partidarização das instituições do Estado e a existência de Comités de Especialidade de Médicos e Enfermeiros do Partido no Poder; caso único no Mundo! A comunicação social pública, os serviços de inteligência, os Gabinetes de Comunicação Institucional e Acção Psicológica do Presidente da República, pagos com dinheiros públicos, foram transformados em órgãos partidários de demonização e criminalização dos principais adversários políticos. O que se espera deste posicionamento? Receios e desconfiança!

Os discursos e acções de há três anos foram substituídos pela hipocrisia! O combate à corrupção foi substituído pela protecção dos camaradas “yes man”, amigos e aliados da estratégia de gestão do poder. Urge combater a hipocrisia!
Em 2017, o Senhor Presidente da República, João Lourenço teve a mudança nas mãos. Entre salvar o País ou o seu Partido preferiu salvar um grupo de camaradas, por isso, o País regrediu muito! Somos hoje um País menos inclusivo, menos livre e menos democrático do que fomos há dois anos. O Senhor Presidente da República foi sequestrado por uma elite anti-patriótica, insensível, corrupta e anti-democrática: procura-se o Presidente João Lourenço de 2017!
O poder judicial é simplesmente uma muleta do Poder Executivo Autocrático!

O sonho alimentado pelo discurso de tomada de posse e alguns dos actos dignos de um Estadista Reformista, tornou-se um pesadelo. Neste ambiente de medo, terrorismo de Estado e afirmação de um novo poder autocrático muitos angolanos não fazem confiança nas instituições de saúde, por isso, preferem morrer em casa a ficarem à merce dos comités de especialidade de médicos e enfermeiros do regime! Angola precisa reflectir sobre o rumo que o País está a tomar e redesenhar a essência do compromisso público; o poder deve ser um meio para servir a sociedade!

Quando um Grupo Parlamentar perde 6 Deputados em 6 meses deve preocupar a todos porque não é só a UNITA ou a família que perdem, antes o País perde a contribuição de alguns dos seus ilustres filhos.

Angolanas, angolanos, caros jornalistas.

No passado dia 8 de Maio de 2021, o País foi surpreendido e abalado pela morte do saudoso Deputado Raúl Danda que, foi seguramente um dos mais distintos Deputados da República de Angola! O Deputado Raúl Danda foi único: inteligente, eloquente, estudioso, criativo e combativo. Elevou o Estatuto de Deputado a um patamar de excelência que se tornou uma referência nacional. Em reconhecimento a sua contribuição patriótica na Assembleia Nacional, o Grupo Parlamentar da UNITA decidiu declarar o dia 8 de Maio, dia do Deputado do Grupo Parlamentar da UNITA. Nesta data passaremos a homenagear anualmente todos os deputados e ex-deputados.

Honrar os heróis e mártires da Pátria é um acto de justiça!
Viva a África
Luanda, 25 de Maio de 2021
O Grupo Parlamentar da UNITA